Quando um objeto é criado, tem-se a ideia de que sua criação foi necessária, de alguma forma, para resolver problemas e remover obstáculos. Proveniente dos pensamentos de um designer, o objeto, em sua funcionalidade mais ampla, talvez torne-se um novo obstáculo, visto que fora criado em um determinado momento, por uma determinada razão e em função de um homem, o que o criou. Não há como contestar isso, principalmente se tomarmos como base de análise nossa própria sociedade: ao longo dos séculos, o homem criou e recriou, pensou e repensou, de modo a facilitar seu cotidiano por meio de objetos que, no decorrer do tempo, tornaram-se antiquados.
Flusser fala de um designer responsável, que pense em seus projetos de modo a atender a demanda de outros homens. Em sua concepção, é preciso que o designer volte suas atenções para as necessidades da humanidade, e não para o objeto por si só. O surgimento de uma cultura imaterial, (aqui representada pelas novas tecnologias), caminha justamente em direção a esse pensamento de Flusser, uma vez que, ao projetar algo que não é necessariamente físico, o designer indiretamente concentra suas atenções aos homens que estão "do outro lado".
A humanidade precisa dos objetos de uso para prosseguir e, enquanto esses objetos continuarem transformando-se em obstáculos, mais outros objetos serão consumidos e mais o homem perceberá a brevidade dos bens que produz.
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