sábado, 6 de agosto de 2016

Arquitetura e Roupa

     A comparação entre arquitetura e roupa é simultaneamente inusitada e pertinente. Construções e vestimentas, apesar de evidentemente diferentes, desempenham funções semelhantes: são responsáveis por nossa proteção, são capazes de representar personalidades, podem excluir  ou incluir socialmente uma classe ou outra, entre tantas funcionalidades. Fica então um questionamento simples, mas que permite uma reflexão complexa e interessante: para que a humanidade se propõe a arquitetar, se temos, com maior facilidade, um vasta gama de roupas que, em sua praticidade, desempenham papéis tão parecidos aos da arquitetura?
     Acredito que construções conseguem representar grupos de maneira mais ampla, enquanto a roupa se coloca como algo mais individual, pessoal. Além disso, a arquitetura possibilita espaços de integração entre um grupo ou vários. A representatividade de grande parte das construções talvez seja inigualável, porque é perpetuada por longos períodos, enquanto a moda, mais efêmera, se transforma mais facilmente em curtos espaços de tempo. Outro ponto a ser destacado é o de que, culturalmente, a moda representa simplesmente uma forma de se vestir (não minimizando as ideologias carregadas por ela, obviamente), enquanto a arquitetura carrega, em seu significado, a praticidade de se viver na contemporaneidade.

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